Você sabe o que vendeu. Não sabe quem comprou.

Você sabe quanto vendeu ontem. Sabe o ticket médio, sabe qual seção puxou, sabe qual caixa fez mais cupom. Se pedir, sai em dois minutos.
Agora responde outra coisa. Quantos clientes compraram na sua loja em julho e não voltaram em agosto?
A maioria das redes não sabe. E o motivo não é falta de dado. É que ninguém nunca foi buscar.
O CPF entra no cupom e morre ali
A cena acontece mil vezes por dia na sua frente de caixa. A operadora pergunta se vai CPF na nota. O cliente fala o número. O cupom sai, o cliente vai embora, a fila anda.
Aquele número foi para dentro do seu sistema. Ele carrega junto tudo: o que a pessoa levou, quanto pagou, que dia da semana era, que hora, em qual loja, com qual forma de pagamento. Você tem meses disso guardado. Às vezes anos.
E esse dado nunca sai do banco. Ele foi coletado por obrigação fiscal, não por decisão comercial. Ninguém pediu relatório em cima dele porque ninguém percebeu que ele era um relatório.
O ERP guardou. O que faltou foi alguém perguntar.
Sete em cada dez já entregaram o cadastro
O cliente não está se escondendo de você. Pesquisa da Neogrid em parceria com a Opinion Box, divulgada em maio de 2025, mostra que 70% dos consumidores brasileiros participam de programas de fidelidade em supermercado. E 68% deles organizam a compra em função das ofertas que recebem desses programas.
Leia essa segunda linha devagar. Sete em cada dez já entraram. E quase todos eles decidem onde comprar com base no que chega até eles.
Ou seja: o cliente já autorizou. Já está disposto a ouvir. Já muda de loja por causa de oferta. O que trava não é ele.
O setor sabe disso. Metade ainda não agiu.
A pesquisa de prontidão e maturidade tecnológica do setor supermercadista, a NSG 2025, feita pela APAS, aponta que 58% dos supermercados priorizam investimento em CRM. O dado foi publicado pela SuperHiper, revista da ABRAS, em fevereiro de 2026.
Cinquenta e oito por cento é bastante. Mas leia ao contrário. Quatro em cada dez ainda não colocaram isso na frente de nada. E dentro dos 58%, boa parte parou no cadastro. Coletou nome, telefone e data de aniversário, gerou um cartão, e nunca transformou aquilo em ação.
Base cadastrada não é fidelidade. É lista.
As três perguntas que a sua base já responde hoje
Você não precisa de aplicativo, de cartão plástico, nem de projeto de seis meses para começar. Precisa de três consultas em cima do que já está gravado.
Quem sumiu. Separe quem comprava toda semana e não aparece há trinta dias. Essa é a lista mais valiosa da sua loja. É gente que já gostava de você, já sabia o caminho, já tinha hábito. Sair custou alguma coisa: mudou de bairro, ou achou preço melhor, ou passou por um atendimento ruim que você não ficou sabendo. Uma parte volta só de ser lembrada.
Quem sustenta. Ordene sua base pelo valor comprado no ano. Olhe onde está a metade do seu faturamento. Vai ser um grupo bem menor do que você imagina. Essas pessoas você trata igual a quem entra uma vez por semestre para comprar gelo.
O que anda junto. Puxe as cestas de quem leva o item da sua oferta principal. Descubra o que entra junto no carrinho. É assim que se decide o que fica ao lado na gôndola e o que não precisa de desconto nenhum para vender.
O encarte fala com todo mundo. Por isso ele custa caro.
A oferta de fim de semana chega igual para quem compra toda terça e para quem nunca entrou na loja. O desconto vale para os dois.
Só que um deles já ia comprar aquilo do mesmo jeito. Você acabou de pagar para dar desconto a quem não precisava de desconto. Isso não é propaganda, é margem doada.
Quando você sabe quem é quem, o encarte continua existindo. Ele só para de ser a única ferramenta. A oferta agressiva vai para quem sumiu. O aviso de chegou o produto que você sempre leva vai para quem sempre leva. E a margem para de vazar no meio.
Segunda-feira de manhã
Peça ao seu TI ou ao seu fornecedor de sistema uma lista simples: todos os CPFs que compraram nos últimos doze meses, com valor total, número de compras e data da última visita. Um arquivo só. Isso costuma sair no mesmo dia.
Depois faça três recortes: quem não compra há trinta dias, quem está na metade de cima do faturamento, e quem comprou uma vez só. Olhe o tamanho de cada grupo. Esse número já vai te dizer mais sobre o seu negócio que o fechamento do mês.
E escolha um grupo só para agir nesta semana. Um. Uma mensagem, uma oferta pensada para aquela gente, e a medição do que voltou.
Você não precisa de mais dado. Precisa começar a usar o que o seu caixa coleta todo dia desde que a nota fiscal virou eletrônica.
Fonte: SuperHiper / ABRAS
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