Seu supermercado tem um WhatsApp. Não tem atendimento.

O número está no encarte. Está na fachada. Está na sacola.
Agora abra esse WhatsApp e olhe quantas mensagens não lidas existem nele. Olhe a data da mais antiga.
Na maioria das lojas o canal existe, o número está divulgado, e ninguém é dono dele. O aparelho fica numa gaveta do escritório, ou no celular pessoal de alguém que saiu de férias. O cliente escreve. O cliente não recebe resposta. E ele não reclama, ele só some.
O canal já foi escolhido, e não foi por você
O CX Trends 2026, feito pela Octadesk em parceria com o Opinion Box, ouviu 2.000 consumidores brasileiros e foi divulgado em fevereiro de 2026. Segundo o estudo, 59% preferem o WhatsApp para o atendimento depois da compra. É o canal mais citado, na frente de qualquer outro.
Isso não é uma tendência para o ano que vem. É o comportamento de hoje, na sua praça, com o seu cliente.
Repare no que a preferência significa na prática. O cliente não vai ligar. Não vai mandar e-mail. Não vai preencher formulário no site. Ele vai escrever no mesmo aplicativo em que conversa com a mãe dele, e vai esperar o mesmo tipo de resposta que a mãe dele dá.
A loja que trata esse canal como recado tratou errado a porta principal.
Rapidez não é simpatia. É receita.
O mesmo estudo mostra que 85% dos consumidores afirmam que voltam a comprar quando o atendimento é ágil, e 51% colocam a rapidez da resposta como o fator número um.
Ainda segundo o CX Trends 2026, 67% desistiram de uma compra no último ano por causa de experiência ruim em canal digital.
Traduza isso para a operação. A pessoa perguntou se chegou gás. Perguntou se a picanha da oferta do encarte ainda tem. Perguntou o horário do domingo. Perguntou se o pedido dela saiu para entrega. Nenhuma dessas perguntas é difícil. Todas elas são perecíveis. Uma resposta de terça para uma dúvida de sábado não é resposta, é registro de que ela chegou.
E a conta é pior do que parece, porque o cliente que ficou sem resposta não vira reclamação, vira ausência. Ele resolve o problema dele indo no concorrente, que fica a quatro quarteirões. Você nunca fica sabendo. Não existe relatório de mensagem ignorada.
O robô sozinho incomoda mais do que ajuda
Aqui é onde muita loja erra na tentativa de acertar. Contrata um bot, liga o menu de números, e considera o problema resolvido.
O estudo mostra que 49% dos brasileiros já interagem com inteligência artificial em atendimento, então a resistência à automação não é o ponto. O ponto é outro: 55% consideram incômoda a ausência de interação humana em atendimentos automatizados, e 51% dizem que o ideal é o equilíbrio entre IA e gente.
Ou seja, automatizar funciona quando resolve. Automatizar irrita quando adia.
Pergunta de horário, endereço, formas de pagamento, status de pedido e itens de encarte: pode ser automático, e deve. Reclamação de produto estragado, cobrança errada, troca e entrega que não chegou: precisa de alguém com nome. O erro clássico é jogar exatamente a mensagem quente dentro do menu frio e fazer o cliente digitar 3 para falar com um atendente que não existe.
Existe um turno que a sua loja não cobre
Ainda no CX Trends 2026, 54% dos brasileiros dizem comprar à noite ou de madrugada.
Sua loja fecha às 22h. Seu escritório fecha às 18h. O celular do atendimento dorme junto com o escritório. E o cliente escreve às 21h40, no sofá, depois de botar o filho para dormir.
Não estou dizendo para colocar gente de plantão de madrugada. Estou dizendo que fora do horário comercial existe um comportamento previsível, e que responder automaticamente "recebemos sua mensagem, respondemos amanhã até as 9h" e cumprir isso já muda a experiência inteira. Silêncio é a única resposta que não tem conserto.
Ninguém mede o que acontece nesse número
Você sabe o ticket médio da loja. Sabe a ruptura de gôndola. Sabe a quebra do hortifruti.
Agora responda sem consultar ninguém: quantas mensagens seu WhatsApp recebeu na semana passada, quanto tempo levou a primeira resposta e quantas conversas terminaram sem nenhuma.
Se você não sabe, o canal não é gerenciado. É um telefone tocando numa sala vazia.
E o mais frustrante é que esse é dos poucos lugares do varejo onde o dado é fácil. Não precisa de inventário, não precisa de contagem, não precisa parar loja. Está tudo registrado, com hora e minuto, no próprio aplicativo.
Segunda-feira de manhã
Abra o WhatsApp da loja e leia as últimas cem mensagens. Só ler já entrega o diagnóstico.
Separe em quatro pilhas: dúvida de produto ou preço, horário e endereço, pedido ou entrega, reclamação. Você vai descobrir que duas dessas pilhas concentram a maior parte do volume e que as respostas são sempre as mesmas cinco ou seis frases.
Escreva essas frases. Coloque num documento. Isso é a base de qualquer automação que você fizer depois, e funciona no dia seguinte mesmo sem automação nenhuma.
Depois defina duas coisas e cobre. Um nome responsável pelo canal, com substituto para folga e férias. E um prazo de primeira resposta que a loja consiga cumprir, mesmo que seja trinta minutos no horário comercial. Prazo que não é cumprido é pior que prazo não prometido.
Por último, mude o texto automático de fora do horário. Tire o "responderemos assim que possível", que não significa nada, e escreva o horário exato em que a pessoa vai ter retorno.
O ERP cuida do que já foi vendido. Esse número no encarte cuida do que ainda pode ser. Ele merece dono, prazo e medição, igual a qualquer seção da loja.
Fonte: CX Trends 2026 / Opinion Box
Quer ver isso rodando na sua operação?
Conheça os recursos do MS Connect e veja como podem apoiar sua equipe.
Conhecer o MS ConnectContinue lendo
TecnologiaSchneekoala · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
O relatório não mentiu. O cadastro mentiu.
Antes de desconfiar do B.I, desconfie do que foi digitado. Todo número que você usa para decidir passou por um cadastro feito às pressas.
VarejoMaksym Kozlenko · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Preço baixo venceu a promoção. O seu encarte ainda não sabe.
O preço baixo voltou a ser o principal critério do cliente do atacarejo, à frente da promoção, diz a NielsenIQ. A briga saiu do encarte e foi para a gôndola.
Gestãosafaritravelplus · Wikimedia Commons · CC0
Você sabe o que vendeu. Não sabe quem comprou.
Sete em cada dez brasileiros já estão em algum programa de fidelidade de supermercado. O dado do seu cliente provavelmente já está no seu sistema, parado.